Levantamento do Ministério do Trabalho divulgado no Dia Mundial da SST mostra crescimento de 65,8% nos acidentes e 60,8% nas mortes em relação a 2020. Técnicos de enfermagem lideram em acidentes; motoristas de carga, em óbitos.
BRASÍLIA — O Brasil registrou 806.011 acidentes de trabalho e 3.644 mortes em 2025 — o pior resultado da série histórica do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (28), Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho, e incluem uma análise retrospectiva de dez anos.
O levantamento é coordenado pelo Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, plataforma mantida pelo MTE em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT), com base em registros oficiais do INSS e do eSocial.
Uma década de dados: 27 mil mortes e 6,4 milhões de acidentes
Entre 2016 e 2025, o Brasil acumulou 27.486 mortes no ambiente de trabalho, 6,4 milhões de acidentes registrados e 106 milhões de dias de trabalho perdidos, segundo o relatório do MTE.
O crescimento mais acentuado ocorreu no período pós-pandemia. Entre 2020 e 2025, os acidentes aumentaram 65,8% e as mortes, 60,8%. Em 2020, os números haviam caído em razão do fechamento de fábricas, obras e serviços durante a crise sanitária; a retomada econômica a partir de 2021 reverteu essa tendência com intensidade.
eSocial reduz subnotificação e aproxima dados da realidade
Parte do crescimento registrado, de acordo com o MTE, está relacionada à obrigatoriedade do eSocial — sistema de notificação eletrônica que passou a exigir o registro digital de acidentes por parte das empresas. Com a plataforma, empregadores que antes deixavam de comunicar ocorrências passaram a ser obrigados a notificá-las eletronicamente.
O efeito é uma aproximação progressiva entre os dados oficiais e a realidade do trabalho no Brasil, que historicamente apresentou índices elevados de subnotificação de acidentes e doenças ocupacionais.
Setor de saúde lidera em acidentes; transportes, em mortes
Técnicos de enfermagem acumularam quase 633 mil registros de acidente na última década, a maior concentração por ocupação no levantamento. O setor concentra trabalhadores expostos a sobrecarga de jornada, esforço físico repetitivo e risco biológico constante.
"Hospitais e serviços de urgência revelam um alto custo humano de cuidar da vida alheia em ambientes frequentemente sobrecarregados e precarizados."
— Diretor de Segurança e Saúde no Trabalho, MTE
No transporte rodoviário de carga, foram 2.601 óbitos entre 2016 e 2025. Contabilizando todas as categorias do setor de transporte, o total chega a 4.249 mortes em dez anos — a maior concentração de óbitos por grupo ocupacional no período analisado.
Participação feminina nos acidentes cresce 48% em dez anos
As mulheres responderam por 34,2% de todos os acidentes de trabalho registrados em 2025. Em uma década, a participação feminina cresceu 48%, acompanhando a maior inserção das mulheres no mercado formal de trabalho — especialmente nos setores de saúde, comércio e serviços.
O dado, segundo o MTE, não indica necessariamente que o trabalho feminino se tornou mais perigoso, mas reflete a expansão do vínculo empregatício formal entre mulheres e a consequente ampliação do universo de registro.
MTE lança ações de prevenção e abre exposição fotográfica
Em resposta aos dados, o Ministério do Trabalho reforçou o compromisso com o CANPAT — Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho — e inaugurou a exposição fotográfica "Linha de Risco", que documenta o impacto real de acidentes em trabalhadores de diferentes setores do país.
Como consultar a série histórica
A base de dados completa, com filtros por setor, ocupação, estado e período, está disponível no Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho: smartlabbr.org/sst.
Os registros têm como base as Comunicações de Acidente de Trabalho (CAT) enviadas ao INSS e os dados do eSocial.
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