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Cerca de 50% dos jornalistas entrevistados relatam sintomas de depressão
Saúde Ocupacional 3 min de leitura

Cerca de 50% dos jornalistas entrevistados relatam sintomas de depressão

22 de setembro de 2026·Fundacentro (gov.br)Ver fonte

Estresse, ansiedade, assédio moral e cyberbulling também têm alta prevalência

Texto original de Fundacentro (gov.br), reproduzido com atribuição. Leia na fonte.

Pesquisa com 257 jornalistas brasileiros, realizada pela Fundacentro em parceria com a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), aponta elevada prevalência de fatores de estresse e de transtornos mentais. Os resultados mostram 50,2% dos respondentes com sintomas de depressão, 47,8% com sintomas de estresse e 35,8% de ansiedade. Quase metade (47,9%) reportou sintomas de insônia.

"As proporções de sintomas em níveis severos e extremamente severos são particularmente alarmantes, indicando um sofrimento psíquico expressivo", afirmam as autoras do Relatório Técnico da Pesquisa "Condições de Trabalho e Saúde Mental de Jornalistas no Brasil", Bruna Ballarotti e Elaine Marqueze, que atuaram como bolsistas de pesquisa na Fundacentro.

Neste estudo, de natureza transversal e com amostragem por conveniência e bola de neve, o questionário on-line aplicado utilizou instrumentos consolidados para avaliar as variáveis. A prevalência de assédio moral foi de 37,0%, a partir do questionário Atitudes Negativas no Trabalho (Negative Acts Questionnaire Revised – NAQ-R) e do o critério de Leymann, que considera uma ocorrência diária ou semanal de comportamento negativo por seis meses; e 26,1%, por Mikkelsen & Einarsen, que consideram a ocorrência de duas ou mais no mesmo período. Já por meio da Escala de Avaliação do Cyberbullying (EAC), com 15 questões, constatou-se cyberbullying para 30,4%.

Os sintomas de transtornos mentais foram avaliados pela escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (DASS-21), e os sintomas de insônia a partir de sete questões do questionário de sono de Karolinska. As variáveis para consumo de álcool se basearam no Alcohol Use Disorders Identification Test (AUDIT), constatando o uso de álcool de risco, nocivo ou de dependência em 21,5% da amostra.

"Uma proporção significativa da amostra está em situações de Alto Desgaste (28%), caracterizada por alta demanda e baixo controle no trabalho, que é o cenário de maior risco psicossocial. Adicionalmente, a maioria dos jornalistas (61,1%) percebe baixo apoio social no trabalho" , apontam as autoras. Para tanto, foi utilizado o instrumento Demanda, Controle e Apoio Social (Job stress scale), com 17 questões de múltipla escolha e três escalas avaliadas: demanda de trabalho, controle no trabalho e apoio que o trabalhador tem em seu local de trabalho.

Já o Índice de Capacidade para o Trabalho (ICT) avaliou a capacidade física e mental dos trabalhadores e apontou capacidade para o trabalho moderada para 51,8% e baixa para 33,1% dos profissionais. A Escala de Satisfação no Trabalho – OSI (Occupational Stress Indicator), por sua vez, resultou em satisfação no trabalho, com média de 70,4 pontos (DP 26,9) em uma escala de 22-132, resultado ligeiramente abaixo do ponto médio da escala.

Esses resultados foram apresentados em reunião do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional em Brasília/DF, realizada no Senado em 14 de setembro, por Cristiane Reimberg, jornalista e chefe do setor de Comunicação da Fundacentro. Também participaram do debate Rita Freire e Patrícia Blanco, do CCS, e Norian Segatto da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), parceira na realização do estudo.

"Os dados mostram um cenário preocupante em relação às condições de saúde mental dos e das jornalistas, e indicam que essa situação pode ser também a realidade de outras categorias profissionais. É necessário estabelecer um diálogo e negociação com os setores patronais e com o legislativo para gerar ações efetivas que protejam as pessoas e tornem os ambientes de trabalho menos insalubres”, afirma o secretário adjunto da Secretaria de Saúde e Segurança da Fenaj, Norian Segatto.


Fonte: Fundacentro, publicado em 22/09/2026. O AcheiSST não altera nem complementa o texto de órgãos oficiais.

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