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Jornada extensa e sobrecarga laboral afetam cultura de segurança e cuidado com pacientes da Atenção Primária
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Jornada extensa e sobrecarga laboral afetam cultura de segurança e cuidado com pacientes da Atenção Primária

01 de outubro de 2026·Fundacentro (gov.br)Ver fonte

Estudo aponta gestão adequada das condições de trabalho para promover ambientes saudáveis na APS e beneficiar trabalhadores, gestores e usuários

Texto original de Fundacentro (gov.br), reproduzido com atribuição. Leia na fonte.

Uma pesquisa revelou que profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) submetidos a altas cargas horária e de trabalho tendem a avaliar negativamente aspectos de segurança no cuidado com pacientes. Publicado na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO), o estudo entrevistou 355 trabalhadores de Unidades de Saúde da Família (USF), Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Clínicas da Família (CF).

Os pesquisadores pediram aos participantes que avaliassem dois grupos de variantes. O primeiro tratou da percepção da intensidade da carga de trabalho e abrangeu exigência mental, física e de tempo, performance, nível de esforço e frustração.

O segundo abordou 12 dimensões da cultura de segurança e envolveu percepção geral da segurança do paciente e da qualidade dos serviços, apoio dos gestores, seguimento da assistência ao paciente, entre outros. Aspectos também avaliados foram comunicação, aprendizagem organizacional, interação entre setores da rede de saúde, processo de trabalho e padronização, trabalho em equipe e treinamento, pressão e ritmo de trabalho.

Mais de 73% dos participantes relataram carga laboral excessiva, e mais de 38% realizavam plantões além do turno de trabalho, ultrapassando a 40 horas semanais. Os números se mostraram associados a uma avaliação ruim da cultura de segurança do paciente, que não teve nenhuma das 12 dimensões classificadas de forma positiva pelos profissionais da APS.

No caso de jornadas superiores a 40 horas, os fatores se tornaram ainda mais críticos. Entre os pontos fracos, os entrevistados apontaram a comunicação entre setores da rede de saúde, a padronização dos processos de trabalho e o suporte oferecido pelos gestores.

“A revisão de literatura apontou que longas jornadas de trabalho refletem em situações de insegurança do paciente”, alertam os pesquisadores. “Corrobora com o resultado de outros estudos que não evidenciaram dimensões fortes da cultura de segurança”, complementam.

Menos sobrecarga de trabalho favoreceu classificações mais positivas da avaliação geral da segurança do paciente e qualidade do serviço, qualificando o serviço quanto a centralidade no paciente, efetividade, pontualidade, eficiência e imparcialidade.

Jornadas menores, de até 40 horas semanais, resultaram em avaliações mais positivas quanto ao apoio da gestão à segurança do paciente e a questões relacionadas à segurança e qualidade do cuidado.

A condição e a organização do trabalho na APS exigem múltiplas atribuições com escassez de recursos e demandas administrativas, sobrecarregando os profissionais e aumentando riscos para eles e pacientes. Para os pesquisadores, melhorar a qualidade da assistência e a segurança dos usuários depende de protocolos e processos assistenciais, mas também da gestão das condições de trabalho.

“Verifica-se a fragilidade no estabelecimento da cultura da segurança no ambiente da APS e infere-se que o seu fortalecimento também perpassa por mitigar a carga de trabalho dos profissionais”, alertam.

“Além da necessidade de recursos humanos, destaca-se a avaliação constante do processo de trabalho, a fim de gerar subsídios para ações de planejamento e a definição de papéis entre os membros da equipe”, complementam os autores.

Além disso, enquanto porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), a APS concentra grande parte da força de trabalho em saúde do país. Portanto, promover ambientes de trabalho mais saudáveis e sustentáveis pode beneficiar simultaneamente todos os elos do sistema: trabalhadores, gestores e usuários dos serviços de saúde.

O artigo é de autoria de Cynthia Teles Machado, Nur Mohamad Ali El Akra, Elen Ferraz Teston, Ingrid Moura de Abreu, Maria Antônia Ramos Costa, João Lucas de Oliveira e Verusca Soares. Leia Jornada laboral e carga de trabalho percebida interferem na cultura de segurança da atenção primária na página da RBSO no SciELO. O conteúdo está em português e inglês, e o download do PDF é gratuito.

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Fonte: Fundacentro, publicado em 01/10/2026. O AcheiSST não altera nem complementa o texto de órgãos oficiais.

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